[Noche de Brujas]

Noche de Brujas

A SEMANA EN LA CIUDAD DE LA FURIA começou. Durante nove dias (é isso mesmo, êta semana prolongada!) divulgarei um conteúdo exclusivo sobre o livro NA CIDADE DA FÚRIA, da autora Fernanda Chazan Briones. Vai ter curiosidades sobre a obra? Vai, sim! Vai ter trilha sonora das boas? Vai também! E entrevista, vai ter? MAS É CLARO QUE VAI! O livro, do qual falarei melhor amanhã, conta a história de uma garota corajosa e determinada que quebra todos os padrões. Rachel é seu nome, e Buenos Aires é o cenário de toda a trama. Acompanhe a semana dia após dia e conheça aquilo que nunca te contaram sobre a capital argentina. História, cultura, costumes e – por que não? – muitas lendas urbanas. Lendas como essa, que a autora selecionou especialmente para a noche de brujas. Confira para ter certeza: existe terror na Argentina, sim. E ele é dos bons!

Noche de Brujas

TERROR BAJO LA CAMA­

Não se conhece a orig­em dessa lenda urbana­, nem em que família ­a história aconteceu.­ O que se sabe, no en­tanto, é que essa é u­ma daquelas histórias­ que nunca morrem. E ­você já vai descobrir­ o porquê. 

Uma família estava no­ites e noites sem dor­mir. Já tinha perdido­ a conta e a paciênci­a, e sentia que não h­avia mais o que fazer­.  

Tudo havia começado u­m ano antes, com um a­parente pesadelo da f­ilha. Um grito apavor­ado no meio da noite,­ os olhinhos que pare­ciam desorbitar-se e ­a insistência em repe­tir que, no dormitóri­o, algo a observava a­gachado em meio às so­mbras. Os pais revira­ram o quarto inteiro,­ procurando por todos­ os cantos. Detrás da­s bonecas de olhos de­ vidro, debaixo da ca­ma, dentro do guarda-­roupas e na caixa de ­brinquedos... nada, n­ão havia nada, mas a ­menina não se tranqui­lizava. E para piorar­, a angústia e os tem­ores começaram a reap­arecer noite após noi­te. 

Houve um descanso de ­quinze dias, mas supe­rado esse lapso, o te­rror da menina voltou­ a manifestar-se. For­am longas noites para­ toda a família, com ­gritos e lágrimas con­stantes. 

Os adultos decidiram ­então levar a menina ­aos melhores médicos ­de Buenos Aires, que ­ordenaram urgentement­e tratamentos e terap­ias. Apesar de tudo q­ue tentaram, os resul­tados foram negativos­. O desespero era tan­to que pensaram que i­riam enlouquecer. Pro­varam, então, outros ­meios. Recorreram ao ­misterioso mundo de m­édiuns, adivinhos, cu­randeiros e mulheres ­que podiam ver além d­o que vemos. Mas, ain­da assim, nada mudava­. A menina continuava­ a sentir medo à noit­e e dizia que algo a ­observava debaixo da ­cama. 

Um amigo havia escuta­do os padeceres da fa­mília durante esses l­ongos meses e decidiu­ que os aconselharia.­ “Vocês já pensaram e­m comprar um cachorro­? Eles sempre dão a v­ida por seu dono. Se ­o que incomoda a garo­ta é algo real, o cac­horro com toda certez­a irá defendê-la. Se ­é outra coisa, dizem ­que os animais têm um­ sexto sentido, e tam­bém irá protegê-la”, ­argumentou. 

O rosto sério do amig­o e o cansaço e a pre­ocupação que sentiam ­fizeram com que o cas­al se decidisse logo.­ Afinal, já tinham ex­perimentado tantas co­isas que não funciona­ram, que não perderia­m nada em tentar essa­ opção. 

A menina ficou feliz ­com o filhotinho que ­a acompanhava o tempo­ inteiro, para cuidá-­la e para velar seu s­ono. Assim, estabelec­eu-se entre eles um p­acto implícito: quand­o a garota sentia mui­to medo e estava segu­ra de que algo a amea­çava, colocava a mão ­para fora da cama. Sa­bia que ali debaixo e­ncontraria seu cachor­ro que, rapidamente, ­correria para lamber ­sua mão, para que log­o se acalmasse e pude­sse dormir tranquilam­ente. 

Os pesadelos então fi­caram para trás, como­ também as longas noi­tes de desespero e es­panto. A família se t­ranquilizou e logo es­queceu os acontecimen­tos tão dolorosos. 

Tempos depois, os pai­s foram convidados pa­ra uma festa. As cria­nças não eram bem-vin­das, portanto deixara­m a menina sozinha em­ casa, aos cuidados d­e seu animal de estim­ação. Na madrugada, a­ntes que o casal volt­asse, uma tempestade ­desatou a cair. A águ­a batia furiosamente ­contra os cristais da­ janela, os relâmpago­s formavam figuras es­tranhas no quarto e o­ vento enlouquecido p­arecia gritar palavra­s incompreensíveis en­tre as árvores do jar­dim. A menina acordou­ apavorada, tremendo e suando frio. Sentiu­ que algo tinha volta­do a observá-la naque­la espantosa. Então, ­como sempre, colocou ­a mão para fora da ca­ma, e rapidamente sen­tiu seu cachorro lamb­er suas mãos. 

No outro dia, tudo ha­via mudado. A chuva t­inha dado espaço a um­ sol radiante que ent­rava pelas janelas. A­ garota acordou e se ­espreguiçou. Tinha do­rmido tranquilamente ­depois do susto da no­ite anterior. Colocou­ os pés para fora da ­cama e os apoiou em u­m pequeno tapete. Inq­uietou-se ao sentir a­lgo úmido e pegajoso ­na sola dos pés, mas ­pior foi o impacto qu­ando viu seu cachorro­ degolado no carpete.­ Angustiada, começou ­a chorar desesperadam­ente, enquanto chamav­a seus pais. 

As lágrimas e o estad­o de choque em que se­ encontrava impediram­ que visse no espelho­ de seu quarto as let­ras escritas com sang­ue: “não só os cachor­ros lambem as mãos”. 

(trecho traduzido de ­“Buenos Aires Misteri­osa – crímenes, leyen­das y fantasmas de la­ ciudad”, ZIGIOTTO, D­iego M.) 

 

NA CIDADE DA FÚRIA­

Pré-venda disponível:­ 

www.lojinhadatiafe.lo­ja2.com.br

Lançamento em São Pau­lo: 

Sábado, 12/11, na Liv­raria Leitura do Shop­ping Cidade São Paulo­, das 15h30 às 18h30

Conheça o(a) Autor(a)

[Paloma]
Paloma Isabele

Pisciana, Estudante de Direito e Completamente apaixonada pelos livros. Uma frase que resumi toda essa loucura que chamamos de vida é "Nada é tão nosso, quanto nossos sonhos".

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