[Resenha: De Pauliceia Desvairada a Lira Paulistana - Mario de Andrade ]

Resenha: De Pauliceia Desvairada a Lira Paulistana - Mario de Andrade

“Este prefácio, apesar de interessante, inútil.”

De Pauliceia Desvairada reune várias obras em verso que marcaram o famoso Mário de Andrade, o livro pode ser lido por qualquer pessoa que tem interesse em conhecer mais sobre o escritor. Se eu nao me engano o livro foi lançado no período de Semana da Arte Moderna, entao percebemos um ar debochado e sombrio em alguns versos, o que tornou o livro espetacular.

As obras escolhidas possuem um ar marcante, que acaba fazendo com que o leitor fique admirado, encontramos versos, referências aos nossos costumes, lendas, musicas, criticas e o mais legal sao que alguns personagens sao gente como a gente, foi uma leitura muito nova pra mim que no começo fiquei com receio de nao gostar, mais acabei sendo surpreendida pelo Mário de Andrade.

Entre varios poemas e versos, acabei gostando bastante do poema Máquina de Escrever, ele acabou mexendo um pouco comigo entao logo acabou se tornando meu preferido, recomendo esse livro pra todo mundo, ele vai acabar se tornando seu amigo de cabeceira.

Selecionei alguns poemas para voces... O primeiro foi de De Pauliceia Desvairada:

O Rebanho

Oh! minhas alucinações!
Vi os deputados, chapéus altos,
Sob o pálio vesperal, feito de mangas-rosas,
Saírem de mãos dadas do Congresso…
Como um possesso num acesso em meus aplausos
Aos salvadores do meu Estado amado!…
Desciam, inteligentes, de mãos dadas,
Entre o trepidor dos taxis vascolejantes,
A rua Marechal Deodoro…
Oh! minhas alucinações!
Como um possesso num acesso em meus aplausos
Aos heróis do meu Estado amado!…
E as esperanças de ver tudo salvo!
Duas mil reformas, três projetos…
Emigram os futuros noturnos…
E verde, verde, verde!…
Oh! minhas alucinações!
Mas os deputados, chapéus altos,
Mudavam-se pouco a pouco em cabras!
Crescem-lhe os cornos, descem-lhe as barbinhas…
E vi que os chapéus altos do meu Estado amado,
Com os triângulos de madeira no pescoço,
Nos verdes esperanças, sob as franjas de ouro da tarde,
Se punham a pastar
Rente do palácio do senhor presidente…
Oh! minhas alucinações!

E o segundo de Lira Paulistana:

Meu São Paulo da garoa,
-Londres das neblinas finas-
Um pobre vem vindo, é rico!
Só bem perto fica pobre,
Passa e torna a ficar rico
Garoa do meu São Paulo,
-Costureira de malditos-
Vem um rico, vem um branco,
São sempre brancos e ricos…

Garoa, sai dos meus olhos.

A Editora Martin Claret outra vez arrasou, sobre a diagramaçao, confesso que fiquei surpresa, as paginas com detalhes chamam bastante atençao do leitor e o trabalho na capa ficou lindo, nao posso esquecer que a capa remete as calçadas de São Paulo e até a introdução chamou atençao, pelo fato de ter inserido um pouco da história dos poemas e alguns dos seus significados o que eu achei muito interessante.

Alem de ter sido uma experiencia incrivel acho que vale super a pena conhecer um pouco dessa obra, acabei ficando encantada pelo Mario de Andrade o que acabou me despertando vontade de ler mais obras escritas por ele. Entao meus contos, venham conhecer um pouco mais dessa obra.

Sinopse:

Neste volume reúnem-se diversas obras em verso que marcaram a carreira de Mário de Andrade, entre elas "Pauliceia desvairada", "Losango Cáqui", "Clã do Jabuti", "Remate de males", "O carro da miséria", "A costela do grã cão", "Livro azul", "Café" e "Lira paulistana". Uma edição imperdível que permite-nos compreender melhor a concepção dos modernistas brasileiros.

 

Conheça o(a) Autor(a)

[Paloma]
Paloma Isabele

Pisciana, Estudante de Direito e Completamente apaixonada pelos livros. Uma frase que resumi toda essa loucura que chamamos de vida é "Nada é tão nosso, quanto nossos sonhos".

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